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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
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Brazilian Association of Masonic Philately
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
FILATELIA MAÇÔNICA
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ARTIGOS E DICAS DE FILATELIA
A coleção representativa Universal
Ana Lúcia Loureiro Sampaio
Quando falamos em Coleção Representativa Universal, estamos nos referindo a um tipo de coleção que pode ser feito, com selos de todos os países, porém, com uma determinada estrutura, repetindo-se sistematicamente nos diversos países, como uma unidade de trabalho, comum a todos. Não podemos falar em coleção de selos sem falar em método. Aliás, não podemos fazer nada, absolutamente nada, que de certo, se não usarmos um método. No mundo moderno e na nossa vida, já não existe lugar colocações aleatórias, onde quer que seja. Na maior parte das vezes o a falta de um sistema adequado de trabalho, traduz-se por inutilidade, perda de tempo e desperdício.
A harmonia está na ordem da organização sempre uniforme. Aliás, ate mesmo a nossa felicidade está na ordem. Na ordem das nossas idéias e dos nossos sentimentos, para haver coerência com as nossas mais profundas necessidades. A pessoa que vive pulando de impulso em impulso, agora isto, amanhã aquilo, no vai da valsa, como diziam antigamente, dificilmente poderá ser feliz. "Sem lenço e sem documento..." é bonito só na música do Caetano Veloso, nada tem a ver com a vida, com a profissão e com nossas outras atividades. A realidade, o dia a dia bem vivido, o nosso trabalho bem feito, a satisfação de haver criado ou produzido, a realização de nossos objetivos principais, isto sim é que é felicidade. Requer trabalho e sacrifícios, mas vale a pena!
Mas voltemos a nossa Coleção Representativa Universal, que também é parte da felicidade de quem a faz e de quem a vê. Pois ver uma bela coleção é tão bom quanto ver uma obra de arte e sensibiliza tanto quanto ouvir uma sinfonia. Em meu livro, "Filatelia", falei sobre ela de forma muito generalizada, pensando apenas em crianças e jovens iniciantes. Na verdade, eu mesma, também a via assim, como uma espécie de introdução aos princípios básicos da Filatelia. Com o passar do tempo, quando fiz o "Guia de Países", é que fui percebendo o alcance que teria uma coleção que, pudesse ser um verdadeiro atlas histórico geográfico de nosso planeta. Cheguei a conclusão que é algo importantíssimo, de fazer muita gente grande, parar, para pensar diferente daquilo que vinha pensando, quando via uma daquelas coleções meio ingênuas e bagunçadas com um pouquinho de selos de cada país.
A Coleção Representativa Universal pode retratar o mundo em suas diversas fases de evolução. Fronteiras que encolhem ou que se espalham, países que surgem, outros que desaparecem, as guerras, as ocupações militares, governos depostos, reinos que terminam, colônias mudando de donos, zonas de determinada influência política, voltando-se para outras bandas enfim é um modo perfeitamente possível de se reconstruir o grande drama da humanidade em sua marcha ininterrupta através do tempo.
É algo para começarmos hoje e nossos descendentes continuarem acrescentando todas as modificações que forem surgindo. Este sim seria um legado precioso perpetuando nossa memória na família. Um dia um jovem pai, poderá chegar ao seu garotão, já em idade escolar, falando: “esta coleção que faço, herdei de meu pai, que herdou do seu, que por sua vez recebeu do seu e assim por diante até chegar a quem a iniciou há uns 250 ou 300 anos, que poderá ser você. No tempo dele as coisas eram assim, depois foram ficando deste jeito, já no tempo do meu bisavô estavam bem mudadas e meu avô já viu acontecer isto, meu pai acrescentou todas estas modificações, e eu já estou pondo estes novos países, que antigamente faziam parte daqueles. Já pensaram na emoção do rapaz falando: este selo aqui, comemorou a passagem do ano 2000! Todo mundo pensava que iam acontecer catástrofes.... mudanças radicais.... Este aqui é o Pelé, era um jogador de futebol brasileiro, o maior esportista do mundo no século XX. Aquele ali, é o Hitler, uma das grandes vergonhas da barbárie já quase no final do segundo milênio. Dizia-se alemão, mas era austríaco...bem esses países meu avo disse....agora, estão estes no lugar. Mas e você, filhote, como irá continuar? Como irá dar destaque à Grande Paz que se instaurou em 2295? À cura de todas as doenças, aos festejos do amor universal? Qual foi o país que mais contribuiu com a educação moral das nações?
Vocês já devem ter percebido que para fazer uma coleção dessas não é colocando um selinho qualquer de cada país. O conceito da palavra Representativa quando diz respeito a um país, fala no levantamento de uma amostragem do mesmo, por meio de elementos característicos que possam dar a idéia da composição do seu todo em sua dinâmica conjunta da estrutura, infra-estrutura e superestrutura. Isso significa que devemos colocar selos que falem da situação geográfica, das paisagens, do clima, da vegetação, da fauna, do povo , da produção, das artes, da história , mitos, lendas , personalidades importantes que se internacionalizaram nas várias áreas, da religião, das mudanças políticas, governos, guerras, etc., Ë muita coisa para ser dita a respeito de um único país e para isso não podemos nos restringir a limites de quantidade de selos, como fazem os principiantes, em geral meia folha ou uma folha de classificador, com selos que as vezes nem são demonstrativos de alguma característica própria do país.
Eu acho, que em primeiro lugar devemos procurar nas enciclopédias uma síntese de cada país. É bobagem partir logo num primeiro momento para uma pesquisa profunda, esta irá acontecendo naturalmente a medida que formos tomando gosto e avançando na coleção. Nada deve ser forçado ou envolver obrigação, caso contrário a coleção perderá a sua primeira proposição que é o lazer. O gostoso é ir procurando os selos, arrumando-os segundo seu próprio roteiro de montagem e falando realmente com selos, tudo quanto se puder sobre o país, sem pensar em catálogos, ordens cronológicas de emissão e essas coisas que bitolam demais a criatividade. Também não é preciso exagerar, não é obrigatório colocar todas as séries que existem sobre determinado personagem, nem todas as séries de fauna, flora, basta por um pouco de cada coisa, mas colocar de tudo que seja marca distinta de um país. Já pensaram em representar o Brasil, sem um Cristo Redentor, sem Pedro Alvarez Cabral, sem a pintura de Portinari ou Di Cavalcanti? Um Brasil sem Mico Leão Dourado, Saci Pererê, Cataratas do Iguaçu, D. Pedro I ? E que dizer de não colocar a imagem do nosso primeiro selo? Um Brasil sem Carnaval, sem praias maravilhosas, borboletas e flores.... e tantas outras coisas só nossas ? O mesmo deve ser pensado em relação aos demais países. Cada um tem suas riquezas naturais, sua beleza e sua gente, cada um e um universo diferente do outro.
Não é fácil, eu sei, não é barato, isso também eu sei, mas acho que a satisfação de ter o mundo inteiro nas prateleiras de casa, feito por nós mesmos, vale qualquer sacrifício. Porque esta é uma coleção com conteúdo, uma coleção com um sentido muito maior que o de simplesmente colecionar selos. Mesmo as pessoas que não sentem o mesmo amor que nós, filatelistas sentimos pelos selos, irão gostar e se interessar. Os filhos com certeza irão sentir prazer em continuar, porque não vai ser só juntar papeizinhos, como dizem alguns quando se referem ao hobbie dos pais. Vai ser documentar o mundo para a posteridade, com a grande vantagem de poder arquivar tudo em pouco espaço e ao mesmo tempo criar uma obra de arte.
As emissões modernas facilitam muito este tipo de coleção, a maior parte dos países atualmente, fazem selos bonitos, de boa qualidade e, ao mesmo tempo, bem orientados no sentido de contar sobre suas próprias coisas. A melhor montagem é, sem dúvida alguma, em folhas previamente preparadas no computador, com margens, molduras, títulos e pequenos textos explicativos. O ideal seria o uso dos protetores incolor para fixar os selos. Os protetores de fundo preto são vistosos, mas em folhas com textos e molduras ficam muito pesados, além disso, os cortes nunca são lá muito simétricos e paralelos aos selos, qualquer lado um pouquinho mais torto já iria ser percebido; com o protetor incolor, não existe tal problema, tudo parece sempre estar perfeito. Na falta de tempo para tratar de uma montagem definitiva logo de início, o ideal, são os classificadores com folhas removíveis, para não se estar tendo que remontar tudo, a cada vez que aparecem alguns selos interessantes de um país, é só acrescentar uma nova folha para o país em questão, sem precisar mexer no que vem logo a seguir. Se houver a possibilidade, pois fica bem mais caro, o uso de um classificador para cada país também é interessante, por dar mais facilidade de manuseio.
Qualquer que seja a forma escolhida, para a montagem a coleção ficará bem mais atrativa, se for feita só com selos novos, usando selos carimbados apenas quando esses carimbos estiverem também mostrando alguma coisa ocorrida no país, ou seja, uma data especial, uma comemoração, um fato ocorrido, enfim, coisas que façam parte daquilo que se quer por em destaque. Não é preciso usar os selos clássicos que são caros e difíceis de obter em bom estado. Pode-se ilustrar perfeitamente bem as primeiras emissões do país, com os selos comemorativos abordando essas emissões clássicas; quase todos os países as tem. Também quando se fala em uma guerra, não há necessidade de se colocar o selo emitido durante a mesma, existem os comemorativos abordando o assunto, com um visual muito mais bonito e significativo. Envelopes de primeiro dia ou circulados e máximos postais, também irão enriquecer a coleção. Também quando se fala em uma guerra, não há necessidade de se colocar o selo emitido durante a mesma, existem os comemorativos abordando o assunto, com um visual muito mais bonito e significativo. Nesta coleção não estamos nos preocupando com o valor do selo na história, mas com o valor da história no selo. Portanto, quando uma coisa é comemorada, historicamente é muito mais importante para nossa coleção, do que uma ocorrência esquecida pelo próprio país em suas emissões posteriores.
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